O capacitismo ainda está presente em muitos aspectos da sociedade, inclusive na área da saúde e da terapia. Profissionais clínicos devem compreender o anticapacitismo e garantir um ambiente acolhedor para pais e crianças.
No contexto terapêutico, é essencial reconhecer e questionar práticas que podem perpetuar atitudes capacitistas, promovendo uma abordagem mais inclusiva e respeitosa.
Este artigo aborda como evitar um cenário capacitista na intervenção com crianças autistas, trazendo insights práticos sobre o anticapacitismo. Continue a leitura!
Como Evitar o Capacitismo na Terapia?
A terapia deve ser um espaço seguro e acolhedor para todas as pessoas, independentemente de suas condições ou deficiências. No entanto, muitos terapeutas, sem perceber, podem reforçar atitudes capacitistas.
O capacitismo envolve preconceitos e estereótipos que desvalorizam e discriminam pessoas com deficiência. No ambiente terapêutico, isso pode ocorrer através da linguagem, das abordagens e da negação da autonomia da criança.
A seguir, discutimos práticas capacitistas comuns e como evitá-las.
1. Restringir a Comunicação da Criança
Negar alternativas de comunicação é uma forma de capacitismo. Algumas crianças utilizam Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA), e podem expressar desejos durante a sessão.
Por exemplo, se uma criança pede para ir à piscina, o terapeuta pode explicar que isso não é possível no momento. No entanto, é importante refletir:
- A criança sabe quando poderá ir à piscina?
- O terapeuta ignora ou restringe o pedido?
- Há tentativa de bloquear o uso da CAA para evitar interrupções?
Impedir a comunicação é capacitista, pois equivale a silenciar a criança e negar sua autonomia.
2. Treinos de Espera Descontextualizados
Adultos preenchem seu tempo de espera com atividades, como mexer no celular. Então, por que exigir que crianças autistas fiquem paradas e quietas?
Antes de aplicar um treino de espera, reflita:
- Qual comportamento está sendo exigido?
- O tempo de espera é necessário?
- Como tornar a espera mais natural e confortável?
- A criança pode realizar alguma atividade durante a espera?
Impor padrões irreais apenas para crianças autistas é capacitista.
3. Falar Sobre a Criança Como Se Ela Não Estivesse Presente
É comum terapeutas conversarem com os pais sobre a criança na sua presença. Mesmo que ela tenha dificuldades de comunicação, isso não significa que não compreenda.
Práticas recomendadas:
- Escolher palavras com cuidado.
- Incluir a criança na conversa.
- Evitar falar sobre ela como se não estivesse ali.
4. Reprimir Stims e Estereotipias
Os stims e as estereotipias são formas de expressão e autorregulação para muitas crianças autistas. Porém, são frequentemente reprimidos em terapias.
Bloquear ou eliminar esses comportamentos pode causar danos emocionais. Em vez disso, o terapeuta deve compreender sua função e, se necessário, sugerir alternativas respeitosas para autorregulação.
Cada criança é única, e a terapia deve respeitar sua autonomia.
Conclusão
Combater o capacitismo na terapia garante que crianças autistas tenham suas vozes respeitadas. Pequenas mudanças na abordagem podem fazer a diferença na inclusão e no bem-estar das crianças.
A terapia deve ser um espaço de respeito e acolhimento, promovendo uma comunicação inclusiva e uma intervenção baseada na compreensão e no respeito à individualidade.
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